Limpeza de ouvido provoca otite?

O ouvido externo é limitado internamente pela membrana timpânica seguindo até o meio externo pelo conduto auditivo. A grosso modo , a orelha externa é um cilindro em forma de “L“, constituído de todas as estruturas de uma pele normal.

A orelha apresenta um mecanismo de auto-limpeza, que faz com que toda a sujidade “natural” deslize lentamente de dentro para fora. Qualquer mecanismo que provoque uma mudança nesta cinética celular levará a uma otopatia.

Existem alguns fatores predisponentes como o excesso de produção de cerúmem, excesso de pêlos na entrada do conduto auditivo e umidade, mas, o principal deles é a limpeza inadequada.

A limpeza deve ser de responsabilidade de profissional preparado ( veterinário ou não ), que saberá fazê-la sem provocar dano ao conduto auditivo.Com o surgimento de tantos banho & tosa, houve um aumento proporcional na freqüência de infecções de ouvido. Para a limpeza  deste órgão nunca deve ser  utilizado algodão preso a pinças hemostáticas ou a hastes flexíveis, destinados a seres humanos. Se estes objetos forem introduzidos no conduto provocarão a compactação do cerúmem no fundo do ouvido, aumentando a pressão sobre a membrana timpânica e interrompendo a imigração epitelial. A retirada dos pêlos por arrancamento existentes na entrada do conduto não pode ser freqüente e, quando necessária, deverá ser manual ( com os dedos ) utilizando produtos específicos para a soltura dos pêlos.

Resumindo: Quando o médico veterinário julgar pertinente a  limpeza, esta deverá ser feita utilizando-se um produto ceruminolítico que fluidificará o cerúmem facilitando sua retirada. Após sua aplicação, o conteúdo deverá ser retirado com o auxílio de algodão ou gaze enrolados no dedo indicador do tratador.

Conclusão:

Todos os cães que tiverem orelhas saudáveis, com produção normal de cerúmem e com volume normal de pêlos na entrada dos ouvidos, não deverão ter seus condutos auditivos limpos. A interferência humana é a principal causa do desenvolvimento de otites nos cães. Quando a orelha  mantém suas funções normais, não toca-las é a melhor opção.

 

 

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Dra. Marília Russi de Carvalho
CRMV-SP 3652
Graduada pela UNESP / Jaboticabal / 1981
Criadora da raça Beagle desde 1977

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